top of page
alunos-e-professor-em-sala-de-aula-ilust

"Cerca Rapazi!"

pesca.png
Puxada de rede na Praia de Bombas.

A pesca artesanal nas praias de Bombinhas é uma atividade econômica que atravessou gerações e ainda se faz presente no cotidiano da comunidade. Dentre todo litoral catarinense é uma das poucas localidades que mantém viva essa prática que é considerada patrimônio cultural imaterial do estado pela lei 15.922, de 2012.

É na puxada da tainha que temos a principal prática de pesca artesanal no município, uma tradição de origem indígena, que com o passar dos tempos recebeu forte influência das famílias açorianas que se fixaram no litoral a partir do século XVII.

O primeiro relato desta prática foi registrado pelo aventureiro alemão Hans Staden (1525-1579) no ano de 1577:

 

Neste tempo (Agosto) procuram (os índios) uma espécie de peixe que emigram do mar para as correntes de água doce, para ai desovar. Esses peixes se chamam, sem sua língua “piratis”, e em espanhol “lisas” (tainhas). Pescam grande número de peixes com pequenas redes. O fio com que a esmalham, obtém-no de folhas longas e pontudas, que cham tucum. Quando querem pescar com estas redes, juntam-se alguns deles e colocam-se em círculo na água rasa, de modo que a cada um cabe um determinado pedaço da rede. Vão, desta maneira uns poucos no centro da roda e batem na água. Se reparte com os outros que pescam pouco. Também os atiram com flechas. Têm a vista aguçada. Quando algures vem um peixe à tona, atiram-no, e poucas setas falham. Recolhem grande porção de peixes, torram-nos ao fogo, esmagam-nos, fazendo deles farinha, a que chamam de piracuí, que secam bem a fim de que se conserve por muito tempo. Levam-na para casa e comem-na juntamente com a de mandioca. (STADEN, Hans, 1900, pg. 42).

 

 Migrando em cardumes da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, a tainha (Mugil brasiliensis) é um peixe costeiro de águas tropicais e subtropicais que costumam nadar em cardumes próximos a superfície, possuindo em média 50 cm de comprimento com 4 a 6 quilos. A preparação para a pesca tem início no mês de abril, um mês antes do início oficial, para que os ranchos de pesca sejam preparados, a pesca ocorre entre maio e julho.

De acordo com as regras do Ministério de Pesca e Aquicultura, para que ocorra o arrasto só são permitidos lançar 800 metros de redes da areia e 300 metros dos costões, para ser então considerada pesca artesanal.

Dentre algumas expressões socioculturais dessa prática pode ser destacada a função que cada pescador possui durante todo processo: o patrão, - que comanda todo cerco e geralmente é o dono da canoa, - os chumbereiros, são os que jogam a rede no mar uma tarefa que precisa ser muito precisa, - os remeiros, - são geralmente dois ou três que conduzem as canoas, - o vigia, é o responsável por avistar o cardume no mar e dar o sinal para que a correria comece, - os camaradas, são aqueles que ajudam colocar a canoa no mar e na puxada da rede, e - cozinheiro, que é responsável por preparar a alimentação de todos os camaradas.

Atualmente, Bombinhas possui um grande número de canoas a remo, a grande maioria, feitas de um pau só, tradicionalmente usadas para a pesca da Tainha, assim como faziam os povos indígenas. É importante contar curiosidades sobre elas, a grande maioria das canoas encontradas nos ranchos espalhados pelo município possuem mais de 80 a 90 anos.

Com muito orgulho que o camarada Melinho, patrão do rancho de pesca na Praia de Bombas, dizia que sua canoa tinha sido comprada pelo seu avó em Itajaí, mas que ninguém sabia ao certo quantos anos ela já havia sido usada antes da reforma feita pelo avô. Da mesma forma o camarada Edinho, patrão do rancho de pesca na Praia dos Ingleses, conta que tinha a canoa mais velha de Bombinhas, que provavelmente tinha mais de 100 anos, pois já era bem usada quando também o seu avô a tinha buscado nos “Ganchos”, atual município de Governador Celso Ramos, distante 54 km de Bombinhas, a trazendo puxado pelo mar por outra embarcação de pequeno porte. 

redes.png
REDES SECANDO NA PRAIA

Contudo, os relatos escritos das histórias são quase inexistentes, existem poucas fontes escritas que podemos encontrar que façam referência a pesca da tainha no município de Bombinhas. Porém os relatos orais são ricos, muitas famílias de pescadores mantêm viva não apenas a tradição da pesca, da qual muitos sobrevivem.

A grande maioria desses pescadores, possuem canoas que receberam como herança e procuram passar essas histórias para as novas gerações e ensinando o ofício para os jovens, assim dando continuidade a essa tradição cultural e imaterial do litoral catarinense. É muito comum ouvir em suas narrativas, que receberam os ensinamentos de seus avós e pais, e que estão tentando ensinar as novas gerações.

REFERÊNCIAS:

http://www.culturabombinhas.com.br/p/a-pesca-artesanal-da-tainha-em.html

STADEN, Hans. Suas viagens e captiveiro entre os selvagens do Brazil. São Paulo: TYP. Da Casa Eclectica, 1900.


 

© 2020 por Luiz Pause Orgulhosamente criado por Wix.com

bottom of page